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HIGHLIGHTS ESPEN 2022

O congresso Europeu da Sociedade de Nutrição Enteral e Parenteral, ESPEN, ocorreu em Viena, em setembro deste ano e contou com inúmeras atualizações. O tema do congresso foi “Alimentação e Movimento”.

 

Começando por uma das principais mesas do congresso, o tema foi proteína dietética e condicionamento muscular. O músculo é um tecido dinâmico, está em constante síntese e quebra. Considerando que a taxa de turn over do músculo é de 1 a 2% por dia, significa que a cada 50 a 100 dias, todo o músculo é remodelado, e isso acaba trazendo uma vantagem. É uma adaptação muito positiva para, por exemplo, aqueles que buscam hipertrofia. Mas essa característica do músculo também acaba trazendo vulnerabilidade em situações em que a perda de massa muscular pode acontecer de maneira muito rápida, como em determinadas doenças e no próprio envelhecimento e inatividade física.

Ao longo da aula é abordado a “dupla perfeita” para o estímulo anabólico, que é a nutrição e atividade física. Começando pela nutrição, temos nas proteínas o importante papel dos aminoácidos, que são tanto nutrientes construtores do músculo quanto também sinalizadores. Aminoácidos sinalizam o estímulo anabólico, ou seja, a síntese muscular.  Dentre os aminoácidos, se destaca a leucina como principal sinalizador anabólico.

Com relação a fonte de proteína, a proteína do soro do leite, ou whey, é uma das principais fontes para estímulo de síntese muscular, provavelmente, tanto pela digestibilidade quanto pela quantidade de leucina presente na proteína. Por isso whey é uma importante fonte de suplementação quando consumido isolado. Contudo, quando pensamos na alimentação como um todo, consumimos outras fontes proteicas, e a fisiologia é diferente, trazendo também benefícios. Neste contexto, algo que tem sido muito discutido são as proteínas de fonte vegetal. Com a fonte vegetal também podemos conseguir o estímulo anabólico, tudo envolve uma questão de adequação da dieta.

A atividade física deixa o músculo mais sensível as propriedades anabólicas da ingestão proteica. Por isso, assim que a atividade física for realizada, deve existir ingestão proteica posteriormente. De forma oposta, quando não há prática de atividade física, o músculo fica menos sensível a propriedade anabólica da proteína. Estudos demonstram que uma semana de repouso na cama pode levar a perda de 1,4kg de músculo por semana.

Desta forma, já conhecemos aquela clássica frase, que “você é o que você come”, mas podemos adicionar que, com a prática de atividade física “você é o que você acabou de comer” e sem atividade física, “você é menos do que você come”.        

Falando sobre Oncologia, é sabido a alta prevalência de baixa massa muscular em pacientes com câncer: até 70% de baixa massa muscular presente. A recomendação proteica para o paciente oncológico é de 1g a 1,5g/kg/dia, sendo o objetivo tentar chegar a 1,5g/kg/dia. Uma das questões para pesquisas trazidas pelo Guideline Europeu de Nutrição na Oncologia, é a avaliação sobre a meta proteica de 2g/kg/dia. Um estudo recente, Prime Study, teve como objetivo comparar grupos de pacientes oncológicos com meta proteica de 1g de proteína/kg versus 2 g de proteína/kg/dia. Encontraram que 2 gramas de proteína/ kg foi pouco factível sem suplementação, na verdade 30% dos participantes não atingiram nem a recomendação mínima dos guidelines.

O próprio tumor pode levar a anorexia, além de todos efeitos colaterais do tratamento, e muitos deles relacionados à alteração de paladar, alteração de olfato, que afetam muito o consumo de alimentos. Publicação recente, com 242 participantes, mostrou que as principais queixas, os principais sintomas que impactam o consumo alimentar, estavam relacionados a alteração de paladar, alteração de olfato e náusea. Desta forma, para o tratamento da anorexia, da baixa massa muscular, da desnutrição, é importante o aconselhamento nutricional individualizado associado a suplementos nutricionais orais e atenção a ingestão de proteína.

Com relação a suplementação, a terapia nutricional, o EFFORT Trial foi um estudo muito importante, que corrobora com a nutrição baseada em evidência. Foi um estudo em que eles compararam um suporte nutricional individualizado versus o cuidado padrão do hospital. Esse suporte nutricional individualizado, contava com ajuste alimentar conforme preferências, fortificação e uso de suplementos nutricionais orais. Encontraram diferença significativa em termos de consumo calórico e proteico no grupo intervenção: 290 kcal, 10g de proteína. Ainda, que a terapia nutricional individualizada reduziu complicações e mortalidade, ou seja, evidenciaram a nutrição salvando vidas.

Tivemos também as novas diretrizes de nutrição clínica e hidratação em geriatria. A desnutrição está presente em até 50% dos pacientes geriátricos por inúmeros motivos, a desidratação até 33% em idosos frágeis. E por mais que tenhamos esta alta prevalência de desnutrição, temos também a população com obesidade: 18 a 30% da população acima de 65 anos obesa e devemos lembrar que na obesidade podemos ter desnutrição e sarcopenia. Específico relacionado a suplementação, idosos desnutridos devem receber oferta de suplementos nutricionais quando o aconselhamento não é suficiente, naqueles hospitalizados devem receber o suplemento com objetivo de recuperação de peso, mas também diminui risco de complicação e readmissão. E na alta hospitalar, devem ser orientados quanto o uso de suplemento para reduzir o risco de declínio funcional. O mínimo é 1 mês de suplementação e deve ser regularmente avaliado.

Outro guideline apresentado foi o de nutrição enteral domiciliar. Com relação aos produtos recomendados para nutrição enteral domiciliar, o uso da fórmula padrão é recomendado de maneira geral, quando não existe uma necessidade especial. Principalmente na diarreia, mas também na constipação, pode ser utilizado as fórmulas com fibras, e no diabetes pode ser utilizado as fórmulas modificadas, principalmente com carboidratos de lenta absorção e enriquecidas com ácidos graxos insaturados, principalmente os monoinsaturados.

E para finalizar, em uma das mesas foi abordado a nutrição para retardar a progressão da doença renal. A alimentação do paciente com doença renal crônica pode ser desafiadora, com restrição de nutrientes específicos, os quais comprometem o consumo de fibras e proteína, a restrição de líquidos e de potássio.

As fontes dietéticas de potássio são em sua maioria fontes saudáveis da dieta, como frutas, vegetais, oleaginosas, grãos integrais, leguminosas. Inclusive estudos demonstram que uma dieta baseada nesses alimentos, uma dieta saudável, foi relacionada ao menor declínio na progressão da doença renal. Desta forma, se restringirmos estes alimentos focando no potássio, restringiremos alimentos saudáveis, bem como benefícios proporcionados por estes alimentos. Estaríamos por exemplo, restringindo fibras, vitaminas e minerais. Uma dieta com baixo consumo de fibras, está relacionada a disbiose, a constipação, a maiores níveis de toxinas urêmicas vindas da microbiota intestinal, bem como um menor aporte de micronutrientes está relacionado ao estresse oxidativo e inflamação. Desta forma o ideal é buscar o equilíbrio, controlar o potássio sem comprometer a dieta e o consumo de alimentos saudáveis por esses pacientes.

 

Sobre a Prodiet

Há 15 anos no mercado, a Prodiet Medical Nutrition pesquisa, desenvolve e comercializa fórmulas para promover saúde e bem-estar à pessoas com necessidades nutricionais específicas. Através da nutrição, aliada à tecnologia, buscamos transcender o cuidado físico e impactar a qualidade de vida das pessoas que consomem seus produtos. Possuímos uma linha completa de produtos voltados às mais diversas necessidades, estando sempre em constante evolução.

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