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Blog Nutrição e Saúde

Novo guideline ESPEN: alimentação e nutrição hospitalar

O Congresso ESPEN de 2020 foi totalmente online. O evento debateu diversos temas atuais, dentre eles, a atuação da nutrição em tempos de COVID-19. Junto disso, também tivemos o lançamento de um novo guideline, destinado a nutricionistas e demais profissionais da saúde, que objetiva padronizar o cuidado nutricional e evitar a desnutrição no âmbito hospitalar. Abaixo, elencamos os principais pontos:

Recomendações para a alimentação e nutrição hospitalar

Os hospitais devem ter pelo menos dois padrões de dieta: a dieta padrão –  para pacientes que não apresentam risco nutricional –, e a dieta hospitalar –para pacientes que apresentaram risco nutricional.

A dieta padrão deve cobrir as seguintes necessidade:

  • Calorias: 25kcal/Kg de peso atual/dia;
  • Proteínas: 0,8 a 1,0g/Kg de peso atual/dia.

dieta hospitalar – para pacientes com risco nutricional –, deve cobrir as seguintes necessidades:

  • Calorias: 30 kcal/Kg de peso atual/dia;
  • Proteínas: no mínimo 1.2g/Kg de peso atual/dia.

Dietas para intolerantes à lactose não devem ultrapassar 12g de lactose/refeição.

Algumas contraindicações nas dietas hospitalares:

  • Para dietas com restrição severa de sódio, as dietas hospitalares não devem conter menos de 6g de sódio por dia. Isso devido à baixa adesão a dietas com restrição de sódio. Essa recomendação abrange casos específicos, como insuficiência cardíaca, doença renal crônica ou cirrose.

A ESPEN desse ano também falou sobre o Guideline de Nutrição Clínica para pacientes hospitalizados com doença renal crônica ou aguda. Esse novo guideline difere do de 2006, por não determinar necessidades calóricas. Recomenda a calorimetria indireta como um padrão ouro, devendo considerar também a oferta energética proveniente do próprio dialisato.

Já as recomendações proteicas levam em conta as particularidades da condição clínica dos pacientes. Abaixo, algumas recomendações:

  • Pacientes hospitalizados, com Doença Renal Crônica (DRC) em terapia de substituição renal intermitente, sem agudizar/sem doença crítica: ≥1,2g/Kg de peso corporal/ dia.
  • Paciente com DRC, IRA (Insuficiência Renal Aguda) em DRC, IRA, em terapia e substituição renal intermitente, com doença agudizada/doença crítica: 1,3g – 1,5g/Kg/dia.
  • Paciente com doença crítica em IRA ou IRA em DRC, ou DRC em terapia de substituição renal ou SLED: 1,5g/Kg/dia podendo atingir 1,7g/Kg/dia.

Além disso, o guideline também reafirma a necessidade de avaliar a suplementação de minerais, como selênio, zinco e cobre, e vitaminas hidrossolúveis, como vitamina C, folato e tiamina.

Estudo PROMISS

No evento deste ano, também foi apresentado um estudo PROMISS com resultados preliminares sobre a ingestão proteica em pacientes idosos institucionalizados que apresentavam baixo consumo proteico. O estudo teve duração de 6 meses e envolveu pacientes da Holanda e Finlândia. Foi realizado um protocolo isocalórico, com plano alimentar personalizado: uso de dieta alimentar regular envolvendo o enriquecimento proteico das refeições e ao menos uma refeição com teor igual ou maior a 35g de proteína.

Os pacientes foram categorizados em 3 grupos: o grupo controle, o grupo intervenção e o grupo intervenção e aconselhamento dietético.

Após 6 meses de acompanhamento, houve diferenças significativas na ingestão proteica dos pacientes envolvidos no grupo intervenção. No grupo controle, 7% dos pacientes ingeriram quantidade igual ou maior que 1,2g de proteína/Kg de peso, em comparação com 49% do grupo intervenção e 45% do grupo intervenção e aconselhamento.

Esses resultados apontam a importância da intervenção nutricional nesses pacientes idosos. O enriquecimento proteico das refeições e o aconselhamento nutricional são importantes estratégias para essa intervenção.

Aproveite e confira os highlights das mesas do Congresso ESPEN que falaram sobre envelhecimento saudável, saúde muscular e cerebral. Continue acompanhando também o Blog Nutrição e Saúde, trazemos estudos científicos e novidades de eventos.


Este artigo foi escrito pela Equipe Científica Prodiet.

Hellin Santos, Gerente Científico da Prodiet

Gabriela Oliveira, Analista Científico da Prodiet

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