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A composição da microbiota intestinal e seus efeitos na obesidade

A microbiota intestinal, popularmente conhecida como flora intestinal é habitada por inúmeros micro-organismos. É um sítio orgânico denso, cuja formação inicia-se na passagem do canal do parto. Em partos normais, durante a passagem, o recém-nascido é colonizado por uma rede de bactérias rica principalmente em Lactobacillus. Já em partos cesarianos, a microbiota é formada principalmente pelo contato externo da pele materna, rica em bactérias, dando início também a colonização do trato gastrointestinal do recém-nascido.

Segundo a especialista em Nutrição Clínica Yasmyn Alencar, a manutenção saudável da microbiota intestinal é de extrema importância para deixarmos o nosso organismo em bom funcionamento, pois auxilia na ação do sistema imune, promovendo uma reposta imunológica equilibrada e na nutrição, promovendo uma boa absorção e produção de nutrientes, tais como vitamina K e do complexo B.

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Yasmyn destaca que de modo geral, a microbiota intestinal é composta em sua maioria por bactérias benéficas e promotoras de saúde, mas também em número menor, por bactérias potencialmente patogênicas sendo que a alimentação tem um papel primordial nesta composição. O assunto ganhou recentemente uma atenção maior devido a sua participação direta em mecanismos que favorecem tanto a saúde quanto a doença. Hoje é comprovado que a composição da microbiota é fortemente influenciada por padrões dietéticos, por regulação da adiposidade corporal e por modulações metabólicas.

Numerosos estudos, já apontam que a qualidade da dieta é um fator determinante, no que diz respeito à modulação da composição presente na colonização intestinal, principalmente no teor de gorduras que quando em excesso é capaz de prejudicar a integridade da mucosa intestinal. De acordo com Fantuzzi e Mazzone, um dos prejuízos secundários é a hipertrofia do tecido adiposo que acarreta distúrbios metabólicos e hemodinâmicos por produzir adipocinas que têm papel na formação da resistência à insulina e aterosclerose.

Outro fator referente à qualidade da dieta, é que além de hiperlipídica, uma dieta com baixo teor de fibras consegue diminuir a produção de produtos imunomodulatórios que são considerados essenciais, como os ácidos graxos de cadeia curta. Recentemente um estudo verificou que não existe somente relação com a gordura presente na carne vermelha e microbiota, mas que a L-carnitina, também encontrada nas carnes vermelhas, consegue ser metabolizada pela microbiota intestinal. Nesse mesmo estudo, verificou-se que as bactérias presentes no trato intestinal conseguem transformar essa L-carnitina em uma substância chamada trimetilamina (TMA), que após ser absorvida e metaboliza pelo fígado, acelera a aterosclerose em camundongos (2).

Sobre a compreensão do papel da microbiota intestinal e os fatores que contribuem positivamente para a mesma, Yasmyn Alencar ressalta que a flora intestinal representa um importante caminho capaz de controlar doenças como a obesidade e desordens metabólicas associadas como diabetes mellitus e síndrome metabólica.

Um dos fatores benéficos para a microbiota intestinal é a utilização de componentes dietéticos funcionais, como os simbióticos, que proporcionam uma ação conjunta de prebióticos e probióticos. Os simbióticos desempenham um importante papel no tratamento de síndrome metabólica pela diminuição da resistência a insulina e melhora do perfil lipídico.

A relação entre microbiota e obesidade esta cada vez mais clara para a comunidade científica, porém ainda existem muitos mecanismos pelos quais necessitam serem esclarecidos e mais estudos necessários para comprovação de efeito dos pró/prebióticos) no tratamento da obesidade/Diabetes Mellitus e Síndrome Metabólica.

Atualmente, o principal desafio está em identificar exatamente quais são as bactérias benéficas que estão diretamente ligadas no controle da obesidade e desordens metabólicas, para enfim termos a possibilidade de ofertar suplementos de forma mais precisa pois, segundo Yasmyn, os iogurtes que são disponibilizados nos supermercados estão bem longe de cumprir essa tarefa.

Referências Bibliográficas:

1- Fantuzzi G, Mazzone T. Adipose tissue and atherosclerosis. Arterioscler
Thromb Vasc Biol. 2007;27:996-1003.

2. Koeth RA, Wang Z, Levison BS, Buffa JA, Org E, Sheehy BT, et al. Intestinal microbiota metabolism of l-carnitine, a nutrient in red meat, promotes atherosclerosis. Nat Med. 2013;19(5):576-85.

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