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Terapia Nutricional em pediatria

A desnutrição infantil ainda é uma realidade que está mais próxima do que imaginamos, e os números são assustadores: de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), mais de 200 mil crianças morrem nas Américas antes de completar cinco anos em decorrência da desnutrição. Se trouxermos estes dados para o Brasil, dentro dos hospitais, a mortalidade de crianças por desnutrição chega a 50%, enquanto o valor recomendado deveria permanecer inferior a 5%, conforme uma revisão de 67 estudos publicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo Eliana Barbosa, nutricionista clínica do Hospital Infantil Joana de Gusmão, de Florianópolis – SC, uma criança internada com quadro de desnutrição apresenta um maior risco de complicações clínicas e infecciosas, com aumento do tempo de internação e dos gastos relacionados à sua recuperação, além de maior risco de mortalidade.

De acordo com a nutricionista, dados recentes de um estudo feito em 2014, apontaram que, de 72 crianças internadas na UTI do Hospital Joana de Gusmão em um período de nove meses, com idade média de 21 meses, apresentaram alta prevalência de desnutrição no momento da admissão, sendo: 33,9% de acordo com indicador peso para idade, 41,1 % de acordo com estatura para idade e 22,1% de acordo com IMC (índice de massa corporal). Além disso, o quadro de desnutrição esteve associado com maior tempo em ventilação mecânica para este grupo de pacientes.

“Conforme outro trabalho realizado em 2008 no mesmo hospital, das 144 crianças avaliadas com idade média de 21 meses, após 48 horas de internação, 29% estavam desnutridas, sendo as doenças do aparelho respiratório o diagnóstico mais frequente nesta população. Neste estudo, o quadro de desnutrição esteve associado com maior utilização de medicamentos. Desta forma, a detecção precoce dos pacientes que apresentam desnutrição ou que estejam em risco nutricional é de extrema importância no âmbito hospitalar para podermos planejar a terapia nutricional mais adequada e prevenir ou tratar os déficits nutricionais o mais breve possível”, pondera.

Terapia Nutricional – Assim como os adultos, as crianças podem receber diferentes tipos de terapia nutricional (TN), podendo -se optar pela:  terapia nutricional oral (NO), nutrição enteral (NE) – por meio de sondas ou ainda nutrição parenteral (NP) – (veja quadro), dependendo da situação clínica de cada paciente. De acordo com Eliana, a NE poderá ser indicada de forma parcial quando a ingestão alimentar por via oral for insuficiente, ou ainda de forma completa, quando a ingestão alimentar por via oral for inviável. A indicação da NE só será realizada quando o trato digestivo estiver funcionante. Já a NP, será indicada em pacientes com o trato digestivo não funcionante ou quando não tolerar a NE. Poderá ser de NP total quando a NE for contraindicada; ou parcial, se a NE for tolerada parcialmente.

“A TN deve fornecer aporte nutricional adequado para que a criança cresça e desenvolva todo seu potencial. Além disso, cada faixa etária e sexo apresentam diferentes necessidades nutricionais, que variam se a criança está saudável ou em ambiente hospitalar”, explica. Exemplificando o que a nutricionista disse, um menino de três anos saudável necessita de uma quantidade de nutrientes diária diferente de outro menino da mesma idade, mas em estado crítico no hospital.

Outra questão avaliada, de acordo com a nutricionista, é a escolha do tipo de dieta na NE, que deverá ser precedida de uma avaliação criteriosa dos seguintes itens: faixa etária, desenvolvimento neuropsicomotor, estado nutricional e metabólico, capacidade digestiva e absortiva do trato gastrointestinal, necessidades nutricionais específicas de acordo com a situação clínica de cada paciente, necessidade de restrição hídrica e da via de administração. “A nutrição enteral é um procedimento útil na manutenção ou recuperação nutricional, com baixo risco em relação à via parenteral, desde que adequadamente planejada, executada e monitorada”, pontua Eliana.

Segundo a profissional, os cuidados com os “pequenos” pacientes são desafios diários a serem enfrentados, pois monitorar a TN em pediatria é diferente de fazer o mesmo em pacientes adultos. “Como a comunicação com a criança é mais difícil, é necessário um melhor envolvimento com a família, além de maior observação. Outra questão importante é o preparo da família para a alta hospitalar. As mães, durante a internação contam com a ajuda de toda uma equipe no cuidado geral do seu filho e podem ter dificuldades com a terapia nutricional em nível domiciliar, principalmente se for NE (via sonda). Sendo assim, antes da alta hospitalar, elas devem ser orientadas e treinadas à respeito dos cuidados com a dieta, desde a importância da higiene, modo de preparo, armazenamento e modo de infusão. O tratamento nutricional que começamos no hospital, muitas vezes é necessário que se mantenha em casa para que a criança recupere na íntegra o seu estado nutricional”, finaliza.

 

 

 

 

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