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Diabetes infantil – um mal que se alastra rapidamente

A obesidade já é uma crise de saúde global com extensões bem maiores do que os impactos da fome, e também a principal causa de incapacidade em todo o mundo, de acordo com um relatório publicado em dez/2012 na revista médica britânica The Lancet. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um terço das crianças brasileiras está acima do peso ou obesa: 33% têm obesidade, sendo que quatro de cada cinco delas deverão manter-se nessa condição até o fim da vida. Uma das doenças que geralmente acompanham a obesidade é o diabetes do tipo 2 – normal em adultos, adquirido por maus hábitos alimentares, sedentarismo, histórico familiar, tabagismo e hipertensão arterial, quando o pâncreas produz insulina, mas não em níveis suficientes.

Porém, o acúmulo de gordura, um dos grandes patrocinadores do diabete tipo 2, deixou de ser assunto exclusivo de gente grande. Como consequência, essa versão começou a aparecer nos mais novinhos, fato que não passou despercebido pelos médicos. “Hoje, entre os 2.500 jovens que tratamos, 80 têm essa condição”, relata o médico Balduíno Tschiedel, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem). Como nos Estados Unidos esses dados são ainda mais alarmantes, médicos e cientistas de lá lançaram a primeira diretriz para o tratamento do diabete tipo 2 em crianças e adolescentes. Naquele País, a cada três casos de diabete diagnosticados na mocidade, um é do tipo 2. “Além da obesidade, temos a questão da etnia, visto que a doença acomete mais negros e hispânicos. Ou seja, o problema ainda é mais ligado à realidade americana”, lembra Tschiedel.

Para os especialistas brasileiros, o documento vem em boa hora. “Ele irá direcionar as condutas em uma situação que está crescendo em várias partes do mundo”, analisa o endocrinologista Luiz Eduardo Calliari, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Tomar conhecimento dessa ascensão é fundamental tanto para os profissionais de saúde como para os pais. Isso porque o diabete tipo 2 é uma desordem sorrateira, capaz de ficar oculta — e causando estragos — por anos a fio. Bem diferente do diabete tipo 1. Nesse caso, a doença é autoimune, caracterizada por um ataque do próprio corpo a determinadas células do pâncreas, o que impede o órgão de fabricar insulina. Com a glicose alta na corrente sanguínea, o paciente mirim sente muita sede e faz várias visitas ao banheiro para urinar. “É impossível um diabético tipo 1 ficar sem o diagnóstico. O pâncreas praticamente para”, informa o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

O tipo 1 é mesmo bem diferente do diabete tipo 2, um distúrbio metabólico cuja marca registrada é uma resistência à ação da insulina. Isso quer dizer que o hormônio é produzido, mas se mostra inábil na tarefa de abrir a porta da célula para a glicose entrar. Antes de o transtorno se instalar de vez, o pâncreas até chega a trabalhar dobrado para ampliar o exército de insulina e, assim, quebrar a barreira. Só que ele não consegue fazer isso por muito tempo. Daí vem o diabete. Até esse desajuste dar seus sinais, muitas vezes se passam mais de cinco anos. “Quando a confirmação do quadro finalmente acontece, cerca de 70% do pâncreas está deteriorado”, estima Couri. Sem falar nas complicações crônicas que podem aparecer nos anos seguintes. “Há aumento nos riscos de infarto, insuficiência renal e cegueira”, lista Tschiedel, da Sbem. Agora, se o diagnóstico já é preocupante por volta dos 60 anos, imagine na casa dos 15. Por isso a importância de entender que o diabete tipo 2 também merece cuidado nas primeiras décadas de vida.

Checkup nos pequeno – O primeiro passo é ficar atento a um de seus principais desencadeadores: o sobrepeso. Depois, se há antecedente familiar. Frente a esta combinação — ou apenas a um dos fatores —, o pediatra já pode pedir o exame de glicose e um teste oral de tolerância à substância. Cabe frisar, porém, que o diabete tipo 2 costuma ser mais intenso nos jovens. “Ele dá mais indícios do que quando aparece em adultos. Por isso se confunde com o tipo 1”, esclarece a endocrinologista Rosângela Réa, do Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba (PR). Na dúvida, o guia americano indica aplicar insulina sem delonga. “O diabético 1 não pode esperar e, para quem tem o 2, o hormônio não faz mal”, diz o presidente da Sbem, Balduíno Tschiedel. Concomitante com o tratamento medicamentoso, é necessário mudar o estilo de vida. Além de uma dieta saudável e menos gordurosa, a Academia Americana de Pediatria sugere que os pequenos se exercitem todo dia, por pelo menos uma hora, porque emagrecer faz a doença regredir.

Fontes: Revista Saúde, IBGE, Revista Veja, site médico Dráuzio Varella

 

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