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SUPLEMENTAÇÃO EM TEMPOS DE COVID-19

Onde a COVID-19 surgiu?

A COVID-19 é uma doença infecciosa, causada pelo Corona vírus SARS-Cov-2 e descoberta no final de 2019 em Wuhan, na China. Em 31 de dezembro de 2019, a China contatou a Organização Mundial da Saúde (OMS) e informou casos de pneumonia de etiologia desconhecida. No Brasil, o primeiro caso da doença foi confirmado no final de fevereiro de 2020.

De acordo com a OMS, a maior parte dos pacientes com COVID-19 (80%) é assintomático, e cerca de 20% dos casos podem requerer atendimento hospitalar por apresentarem dificuldade respiratória. Desses 20% aproximadamente 5% necessitam de suporte ventilatório para o tratamento de insuficiência respiratória.

Sintomas da COVID-19

Dentre os principais sinais e sintomas da doença, destaca-se a febre acima de 37,8°C, tosse, dispneia, mialgia e fadiga, sintomas respiratórios superiores, sintomas gastrointestinais (náusea, vômito, diarreia), disgeusia e anosmia.

Grupos de risco da COVID-19

O grupo de risco para a COVID-19 é também o grupo de risco nutricional. Participam desse grupo idosos, portadores de doenças cardiovasculares, diabéticos e obesos. O risco para desnutrição desses pacientes aumenta ainda mais devido à constante necessidade de internação prolongada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI)..

Recomendações e tratamento nutricional

Para auxiliar no tratamento desses pacientes, a ASPEN e ESPEN publicaram guidelines específicos para o tratamento da COVID-19, com recomendações específicas.


Recomendações energéticas para pacientes com COVD-19


Pacientes < 65 anos

27Kcal/Kg

Pacientes com
baixo peso

30 Kcal/Kg

Pacientes com comorbidades

30Kcal/
Kg

Pacientes idosos

30 Kcal/
Kg

Fonte: ESPEN, 2020.

O objetivo calórico deve ser alcançado gradualmente, sempre observando a tolerância do paciente. Nos pacientes internados em UTI deve-se ofertar 70% das recomendações energéticas durante a fase inicial, e a partir do dia 03 evoluir para 80 a 100% das recomendações energéticas.


Recomendações proté
icas para pacientes com COVD-19


Em idosos e pacientes internados

1g/Kg


Pacientes na UTI

1,3g/Kg

Pacientes obesos
em UTI

1,3g/Kg peso ajustado

Fonte: ESPEN, 2020.

Deve ser feito o acompanhamento diário de vitaminas e minerais em pacientes internados com COVID-19. A vitamina D por estar associada a diversas doenças, como a influenza; a vitamina A como sendo uma vitamina anti-infecciosa e sua suplementação ter demonstrado redução na mortalidade em doenças infecciosas, como a malária, o sarampo, a pneumonia relacionada ao sarampo e também a infecção pelo HIV.

Níveis baixos de vitamina A, vitamina E, vitamina B6, vitamina B12, zinco e selênio estão associados a efeitos adversos e instalações de outras infecções virais. Os guidelines lembram ainda que não há evidências de que doses suprafisiológicas de vitaminas e minerais podem contribuir para a melhora dos resultados clínicos dos pacientes, devendo apenas ser acompanhados e tratadas deficiências.

A hidratação é um fator extremamente importante durante o tratamento da COVID-19, uma vez que há importante perda hídrica por conta de diversos sintomas apresentados pelos pacientes como febre alta, vômito e diarreia. A ASPEN recomenda o consumo de 60 a 120ml de líquidos a cada 15 minutos, independente de sede, dando preferência para líquidos claros e calóricos.

Reforça-se a importância do início precoce do tratamento nutricional, que deve acontecer nas primeiras 24 ou 48h da internação. O uso do suplemento oral deve ser feito sempre quando não for possível atingir as necessidades calóricas e protéicas através da alimentação, estando o paciente em tratamento hospitalar ou domiciliar.

Os suplementos devem fornecer diariamente uma média de 400 calorias e 30 gramas de proteína; seu uso deve continuar por um mês após a alta hospitalar, uma vez que contribuem para a resposta imunológica, auxiliando na completa recuperação do paciente.

Suplemento alimentar durante o tratamento da COVID-19

Os suplementos podem ser utilizados na forma líquida durante os lanches, ou em pó para enriquecer as principais refeições, conseguindo desta forma suplementar quase todas as refeições do paciente.  Atentar-se também ao distúrbio da deglutição pós-extubação, uma vez que pacientes com COVID-19 podem permanecer em situação de intubação prolongada, devendo-se adaptar a textura dos alimentos após a extubação.

É necessário prevenir e tratar a desnutrição, principalmente na população de risco. É de suma importância para reduzir complicações em pacientes com risco nutricional que venham a ser infectados pelo COVID-19 no futuro.

Por fim, variar o uso de suplementos orais prontos para o consumo e em preparações deve ser incentivado ao máximo para aumentar a adesão ao tratamento, e assim alcançar os objetivos nutricionais recomendados. Estimular o consumo dos suplementos aos pacientes, propagar aos profissionais de saúde informações que destacam os benefícios dos suplementos e como oferecê-los aos pacientes torna-se fundamental neste momento de combate ao COVID-19.


Artigo elaborado pelas nutricionistas: 
Ana Karoline Sousa, Fernanda Moura e Marina Amorim Pereira.

Referências:
Barazzoni R et al., ESPEN expert statements and practical guidance for nutritional management of individuals with SARS-CoV-2 infection, Clinical Nutrition, https://doi.org/10.1016/j.clnu.2020.03.022

American Society for Parenteral and Enteral Nutrition (ASPEN). FOR PATIENTS RECOVERING AT HOME. Nutrition and Hydration: Key Weapons in the Fight Against COVID-19, 2020. Disponivel em: https://www.nutritioncare.org/uploadedFiles/Documents/Guidelines_and_Clinical_Resources/COVID19/COVID19%20Patient%20Nutrition%20Paper.pdf

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