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Destaques ESPEN 2019 – Parte III

Proteínas na nutrição clínica

Estudo que analisou o real consumo de proteínas de pacientes idosos hospitalizados demonstrou que, embora as refeições hospitalares forneçam aos pacientes aproximadamente 0,8g de proteína/kg/ dia, o consumo real foi de 0,6g/kg/dia, com aproximadamente 32% dos alimentos fornecidos sendo descartados.

Ainda há o agravante da resistência anabólica, que parece estar relacionada à disponibilidade de aminoácidos pós-prandial e/ou ação dos aminoácidos para tecidos corporais. Neste sentido, falar sobre a importância da proteína na dieta é essencial, uma vez que a disponibilidade de aminoácidos pós-prandial depende do consumo proteico da refeição, não somente quanto à quantidade, como também, à qualidade, sendo que a velocidade da digestão de proteínas na dieta influencia esta disponibilidade. Entre os componentes da proteína do leite, o soro de leite tem sido considerada uma proteína de rápida digestão e absorção após a ingestão, e com alto e rápido aumento de aminoácidos plasmáticos. Com relação à quantidade, estudo em idosos demonstrou que o balanço proteico é positivo com 1,5g de proteína por kg de peso, diferente de quando o consumo é com 0,8g/kg.

Com relação ao momento de consumir a proteína:

Refeição

Disponibilidade de aminoácidos no sangue

Tempo da refeição até atingir o limite da janela anabólica

Aminoácidos; proteínas isoladas, como whey

10 a 20 minutos

Consumir entre 0 a 60 minutos após o exercício

Proteínas intactas (carne, ovos, laticínios)

120 minutos ou mais

Consumir refeição 90 minutos antes do exercício


Falando na qualidade dos aminoácidos, foi apresentado que a co-ingestão de leucina e 15g de proteína aumenta a resposta da síntese proteica muscular, comparada à ingestão de 15g de proteína apenas, após exercício de resistência em idosos.  Em estudo mais recente, foi verificado que a presença da leucina, mais do que a quantidade, é crucial para o anabolismo em mulheres idosas.Um outro ponto, é relacionado a distribuição das proteínas ao longo do dia. Há vasta evidência na literatura de que a síntese proteica muscular, em condições de repouso, pode ser estimulada ao máximo, com aproximadamente 20 a 35 g de proteína ou 0,25g a 0,43g/kg, com base na média de peso corporal de 80 kg, dependendo da qualidade da proteína e da idade individual. Contudo, um estudo randomizado controlado demonstrou que, em idosos que consomem uma quantidade média de proteína, o padrão de distribuição da ingestão nas refeições não afetou alterações na massa magra corporal, força muscular ou função muscular, nem resultou em alterações na síntese proteica muscular, após 8 semanas de intervenção nutricional. Neste estudo, foi comparado grupo de idosos com a maioria da ingestão de proteína durante o jantar (15% – café da manhã/ 20% – almoço/65% – jantar), enquanto o outro grupo consumiu proteínas da dieta uniformemente ao longo do dia (33%/33%/33%).

Ainda sobre qualidade da proteína, os laticínios são uma boa fonte de proteínas de alta qualidade (tanto fontes alimentares convencionais quanto whey protein).

Novos Guidelines:

No fechamento do congresso, foram apresentados 3 novos guidelines: nutrição enteral domiciliar (já disponível), nutrição parenteral domiciliar e nutrição clínica na pancreatite, os quais estarão disponíveis em breve.

O link para o novo guideline está aqui: https://www.espen.org/files/ESPEN-Guidelines/ESPEN_guideline_on_home_enteral_nutrition.pdf

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