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Destaques ESPEN 2019 – Parte I

Idosos:

O congresso da ESPEN foi aberto pelo simpósio PROMISS/ MaNuEL, dois projetos europeus, para nutrição saudável e combate à desnutrição em idosos. Este ano, entre os highlights do PROMISS, foi apresentado que os idosos que consomem menos do que 0,8g de proteína por quilo de peso corporal, tendem a consumir menor proporção de fonte proteica animal, comparado àqueles que consomem alto teor proteico, sendo estas diferenças mais discrepantes na refeição do almoço. As principais fontes proteicas consumidas pelos dois grupos de idosos são laticínios, carnes e cereais. No grupo com baixo consumo proteico e baixo apetite, a maior parte das pessoas tinham 70 anos ou mais, menor escolaridade, reportaram alguma dificuldade financeira e menos conhecimento sobre alimentação e fontes proteicas, além de sentirem-se confusos sobre comida. O menor consumo proteico está relacionado com menor força muscular, pior performance física e mobilidade mais comprometida. Ademais, idosos com dieta de baixa qualidade tem maior risco de fragilidade, comparado àqueles que tem uma dieta de melhor qualidade

O Protein Screener (Pro 55+) http://proteinscreener.nl/#/ é uma ferramenta para detectar a probabilidade de baixo consumo proteico em idosos (<1g/kg de peso corporal). Ainda não foi validada em outros países, incluindo o Brasil.

Força Muscular:

A força de preensão palmar (FPP) é significativamente correlacionada a ASG-PPP e pode predizer de maneira independente o estado nutricional. Ainda, mudanças na FPP podem predizer mudanças no estado nutricional, com relação à categoria e pontuação da ASG-PPP. Contudo, mais estudos são necessários para validar o uso da FPP como ferramenta precoce na avaliação do risco nutricional.

Fragilidade e sarcopenia:

Fragilidade e sarcopenia são condições relacionadas. Sarcopenia não é um biomarcador clínico útil para fragilidade, mas sua ausência pode ser útil para excluí-la.

Foi apresentada uma nova classificação funcional, baseada no index de Independência nas Atividades Básicas e Instrumentais de Vida Diária, eficaz na estratificação do risco de mortalidade em idosos. O trabalho chama atenção para a intervenção básica no idoso ser baseada primeiramente na funcionalidade e não na idade ou comorbidades (as quais são extremamente necessárias em uma avaliação, certamente, mas que poderiam entrar no segundo plano da análise da intervenção).

As atividades básicas foram medidas com o Índice de Barthel. Este pode ter uma pontuação de 0 a 100, onde pontuações mais baixas indicam menor capacidade de realizar atividades básicas da vida diária, incluindo banho, higiene, vestir-se, comer, ir ao banheiro, continência urinária e fecal, deambulação e uso de escadas. O índice de Lawton foi usado para indicar limitações instrumentais e consiste em 8 itens: compras, culinária, limpeza, lavanderia, uso de telefone, controle de medicamentos, finanças e transporte.

Com relação aos resultados da nova classificação, a fragilidade é o estado de maior risco de mortalidade, seguido de indivíduos com incapacidade nas atividades básicas, os quais necessitam de uma abordagem especializada intensiva. A pré-fragilidade, com qualquer comprometimento das atividades instrumentais, apresenta risco intermediário de mortalidade e devem ser realizadas intervenções de atenção primária.

Com relação a intervenção nutricional, recente revisão sistemática com meta-análise demonstrou que a suplementação proteica, associada ao exercício físico, está associada com aumento da massa magra corporal e massa muscular apendicular, com força de preensão palmar, força das pernas e capacidade de caminhada.

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