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Síndrome da fragilidade e risco de queda

Estudos científicos apontam a relação direta com a saúde do idoso e advertem para a necessidade de propostas para a prevenção de riscos.

Com a idade, o organismo passa por alterações sistêmicas nos órgãos e tecidos, com diminuição da sua atividade, redução da flexibilidade, perda de células nervosas, e diminuição do tônus muscular. Este declínio funcional está associado a condições clínicas agravantes, como a síndrome da fragilidade.

Uma questão que pode, à primeira vista, parecer simples, é que a síndrome da fragilidade predispõe o idoso ao maior risco de quedas. A queda leva o idoso a sofrer, primeiramente devido às lesões físicas, podendo também contribuir com alterações psicológicas que podem levá-lo ao isolamento, à hospitalização e à morte. Devido ao aumento da expectativa de vida, o número de quedas vem aumentando consideravelmente. Dados demográficos mundiais apontam que a população com mais de 65 anos, em 2050, deve chegar a quase dois bilhões de pessoas.

Assim, considerando-se a importância do tema, pesquisadores da área iniciaram um estudo para debater o conceito de fragilidade, que foi definida como a “síndrome médica com múltiplas causas, caracterizada pela diminuição da força, resistência e redução da função fisiológica, que aumenta a vulnerabilidade de um indivíduo para o desenvolvimento do aumento da dependência e/ou morte”.

O estudo “Queda e sua associação à síndrome da fragilidade no idoso: revisão sistemática com metanálise”, publicado Revista da Escola de Enfermagem da USP, em 2016, teve como objetivo realizar uma revisão sobre os conhecimentos científicos já publicados sobre esse tema.

Os estudiosos obtiveram um total de 19 estudos.

Dessas 19 pesquisas avaliadas, a maior prevalência de quedas foi no estudo longitudinal prospectivo, realizado com 315 idosos de 11 comunidades de três municípios da Suécia. Os resultados revelaram que 93% sofreram queda e, 58,8%, fragilidade. Os dados ainda mostraram uma população de 40 a 6.724 idosos, com idades acima de 65 anos. A prevalência de queda no idoso frágil variou de 6,7% a 44%. Houve evidência de que a queda está associada à presença de fragilidade do idoso.

Nas 19 pesquisas, a maior ocorrência de quedas foi com o sexo feminino, que variou entre 55,4% e 85,4%, dependendo do tipo de estudo, do local, da população, da amostra, da faixa etária e dos instrumentos de avaliação. Além disso, mostrou que as idosas têm mais tendência a ficar frágeis e a cair mais.

QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS DA QUEDA?

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a queda como um acontecimento involuntário, com perda do equilíbrio, que leva o corpo ao chão ou a outra superfície. As maiores taxas de mortalidade por queda são de pessoas com mais de 60 anos.

  • Segundo o Ministério da Saúde, em 2015 houve 13.900 mortes de pessoas de 60 anos ou mais devido a quedas, número que subiu para 14.832 em 2016 e 15.667 em 2017.  O idoso que vive na comunidade geralmente sofre menos quedas que idosos institucionalizados e hospitalizados. A queda está associada à fragilidade devido à perda de massa muscular, denominada de sarcopenia. Doenças crônicas, o déficit cognitivo, o delírio e o consumo de diferentes medicamentos, especialmente diuréticos ou betabloqueadores, aumentam o risco de quedas.
  • A queda é a segunda causa de morte por lesões acidentais não intencionais, e, anualmente, 37,3 milhões de pessoas que sofreram queda precisam de atendimento médico.

Quedas, hospitalizações e óbitos

Outro estudo, denominado “Impactos da Fragilidade sobre desfechos negativos em saúde de idosos brasileiros”, realizado por pesquisadores de universidades de Minas Gerais, teve como objetivos verificar a relação entre fragilidade e a ocorrência de quedas, hospitalização e óbito em idosos brasileiros.

Para isso, os pesquisadores selecionaram uma amostra representativa de idosos moradores do município de Juiz de Fora (MG). Foi realizada avaliação quanto à fragilidade, condições sociais, demográficas e de saúde no ano de 2009. Entre os anos de 2014 e 2015, foi realizada uma reavaliação quanto aos desfechos negativos na saúde destes idosos.

Os resultados demonstram uma maior incidência de quedas, hospitalização e óbito entre os frágeis. O grupo frágil também apresentou risco aumentado de morte. Já os pré-frágeis apresentaram risco 58% maior de quedas e 89% maior de morte em relação aos indivíduos não frágeis. A fragilidade, assim como a pré-fragilidade, pode aumentar o risco de eventos negativos na saúde de idosos.

Referencias:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-98232017000600836&lng=en&tlng=en

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342016000601005&lng=en&tlng=en

Jack Roberto Silva Fhon, Rosalina Aparecida Partezani Rodrigues1 e Maria Lucia do Carmo Cruz Robazzi1, da Universidade de São Paulo, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (SP), Departamento de Enfermagem Fundamental, Brasil.

Wilmer Fuentes Neira, da Universidad de Ciencias y Humanidades, Facultad de Ciencias de la Salud, Lima, Peru.

Violeta Magdalena Rojas Huayta, da Universidad Nacional Mayor de San Marcos, Escuela Académico Profesional de Nutrición, Lima, Peru.

Sergio Ribeiro Barbosa, da Fundação Instituto Mineiro de Estudos e Pesquisas em Nefrologia. Juiz de Fora (MG – Brasil)

Henrique Novais Mansur, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – Sudeste de Minas Gerais, Faculdade de Educação Física. Rio Pomba (MG – Brasil).

Fernando Antonio Basile Colugnati, da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG – Brasil), Faculdade de Medicina/Psicologia, Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Programa de Pós-Graduação em Saúde.

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