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“Orientações para uso de medicamentos via sonda”

 

Livro das farmacêuticas Janete Lane Amadei e Cláudia Pereira Estéfani oferece um guia terapêutico para profissionais

Orientações para uso de medicamentos via sonda

A nutrição enteral é vital para vários tipos de pacientes, estejam eles internados em ambiente hospitalar ou não. Ela é indicada para indivíduos que não estejam recebendo a quantidade suficiente de nutrientes por meio da alimentação convencional, ou são incapazes de engolir ou tolerar o alimento pela boca. Assim, recebem a nutrição necessária via sonda, que pode ser nasogástrica, nasojejunal, sonda de gastrostomia e sonda de jejunostomia. Mas, além de nutrição, muitas vezes esses pacientes precisam receber também medicamentos pela sonda.

Com o objetivo de elaborar um guia terapêutico de medicamentos para administração por sonda, prestando informações de fatores que podem interferir na farmacocinética dos medicamentos, passagem pela sonda, preparo correto, formas farmacêuticas adequadas e interação droga-alimento, as farmacêuticas Janete Lane Amadei e Cláudia Pereira Estéfani escreveram o livro “Orientações para uso de medicamentos por sonda” (editora Atheneu, 2012).

Orientações para uso de medicamentos via sonda

Nele, as profissionais adiantam que é sempre melhor buscar alternativas à administração do medicamento via sonda, como injetáveis, orais líquidos, retais ou sublinguais, pois, quando administrados por via enteral, podem causar efeitos adversos. Além disso, uma vez que a sonda foi projetada somente para líquidos, macerar comprimidos deve ser o último recurso, já que aumenta o risco de seu entupimento.

De acordo com estudos abordados no livro, ao modificar as formas farmacêuticas sólidas orais dos medicamentos, podem-se produzir alterações nos processos de liberação, absorção, distribuição, metabolismo e excreção. “É necessário conhecer e respeitar cada fármaco e o seu modo de administração”, dizem as autoras.

A publicação também aborda algumas incompatibilidades que devem ser consideradas na administração de medicamentos via sonda: Veja a seguir:

 

Aspectos farmacodinâmicos

  • Interação fármaco-nutriente
  1. a) Quando a administração do medicamento com alimentos é contraindicada na informação técnica do produto, então também não deve ser administrado junto com a dieta enteral;
  2. b) Os medicamentos, ao serem misturados com alimentos, podem alterar a biodisponibilidade de certos nutrientes e ocorrer intolerância gastrointestinais;
  3. c) O efeito terapêutico de certos medicamentos depende do rápido alcance dos altos níveis séricos. Se combinados com dietas, podem reduzir a quantidade esperada do medicamento no organismo.

 

  • Interação fármaco-fármaco:

Ocorre quando vários fármacos têm que ser administrados por sonda. Deve-se, neste casos, administrá-los separadamente.

  • Interação fármaco-sonda:

O medicamento pode aderir à parede da sonda e, por sua vez, reagir com a nutrição enteral e ocasionar a obstrução da sonda. Além disso, podem existir interações entre os medicamentos e as fibras de silicone ou PVC.

 

Protocolo para administração de medicamentos em pacientes com sonda nasogástrica:

As autoras relacionam no livro um protocolo proposto por *Serumbia (2000), com sugestões para minimizar a interação fármaco-nutriente, lembrando que, quando o paciente for capaz de tomar medicamento por via oral, deve-se fazer desta forma. Para diminuir a probabilidade da interação da nutrição enteral com medicamentos em pacientes sondados, deve-se proceder do seguinte modo:

  • Lavar a sonda com 50ml de água filtrada ou fervida morna, antes e depois da medicação;
  • Preferir fórmulas líquidas do medicamento. Caso não exista, consultar o farmacêutico sobre outras possibilidades.
  • Evitar administrar medicamentos com a nutrição enteral. Se não for possível, observar a preparação com cuidado para detectar eventuais precipitações, formação de creme ou floculação;
  • Antes de pulverizar os comprimidos ou abrir as cápsulas, consulte a ficha técnica do medicamento ou farmacêutico;
  • Cada medicamento deve ser administrado separadamente. Lavar a sonda com pelo menos 5 ml de água entre cada administração;
  • Fármacos hipertônicos ou irritantes da mucosa gástrica devem ser diluídos com, pelo menos, 30 ml de água para evitar diarreia ou irritação. Grandes volumes devem ser administrados fracionados;
  • Considerar o uso de medicamentos na forma injetável.

Além disso, a publicação também apresenta uma ficha de medicamentos com informações técnicas individualizadas por droga – em ordem alfabética -, para o uso correto na administração por sonda e que exigem diluição ou reconstituição prévia para uso. Desta forma, o livro “Orientações para uso de medicamentos por sonda” (editora Atheneu, 2012), das autoras e farmacêuticas Janete Lane Amadei e Cláudia Pereira Estéfani, constitui-se como um importante guia para profissionais da área.

*Serumbia AMB. Administração de fármacos por sonda nasogástrica Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Intensiva. 2000:9(1). Disponível em: <ftp://ftp.spic.org/revista/Portugues/rev91/gastrica.pdf>

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